Rui Nogueira (Vitor Mota)

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) garantiu este sábado que faltam 1022 médicos de família em Portugal.

A conclusão surge no âmbito de um estudo elaborado pela APMGF, que revela serem necessários 6487 médicos de família, enquanto o modelo antigo diz serem precisos 5981. Atualmente, existem 5465 médicos de Clínica Geral no País.

“O estudo indica-nos que cerca de 90% da população tem médico de família, mas não é assim tão linear, porque sabemos que há zonas do País onde metade da população não tem acesso a cuidados primários de saúde”, explica ao Correio da Manhã Rui Nogueira, presidente da APMGF.

A associação propõe, através do estudo elaborado, redimensionar a lista de utentes de cada médico, através de diferentes critérios, “ao contrário do modelo atual que apenas tem em conta a questão da idade do doente”.

Para Rui Nogueira, a distribuição de utentes pelos médicos deve ser feita de forma “ponderada e ajustada às necessidades dos próprios médicos e da população”. A proposta de redimensionar a lista de utentes já está a ser avaliada pelo ministro da Saúde.

“Esperemos que as transformações sejam feitas entre 2018 e 2024”, refere Rui Nogueira.

Mais clínicos até 2022

Até 2022, a APMGF estima que existam mais de dois mil especialistas em Medicina Geral e Familiar. Dos clínicos já existentes, cerca de mil vão aposentar-se. O interior do País, o Alentejo e o Algarve são as zonas com mais carência de clínicos.

Zonas diferenciadas

Cada clínico tem 1681 utentes no modelo atual. Na métrica proposta, este número pode variar entre os 1750 na categoria A (zonas com menos pedidos de consultas) e 850 na categoria F (zonas mais complexas do País, que exigem mais cuidados de saúde primários).


Fonte: https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/faltam-1022-medicos-de-familia-em-portugal